O Anjo
Sonhei um Sonho! Que quer dizer?
Eu era uma Rainha virgem,
Guardada por um Anjo doce:
Estúpido infortúnio nunca foi enganado!
E chorei noite e dia,
E ele enxugou minhas lágrimas,
E chorei noite e dia,
E escondi-lhe o gozo de meu coração.
Então ele abriu suas asas e voou;
Então a manhã se envolveu de um vermelho rosado;
Sequei minhas lágrimas, e armei meus temores
Com dez mil escudos e lanças.
Logo meu Anjo voltou:
Eu estava armada, voltou em vão;
Porque o tempo da juventude havia voado,
E cabelos cinzas estavam sobre minha cabeça.
William Blake
Por César Lacerda, em 10:51:35 AM |

tu drume pretinha... que eu te sinto todinha lindinha... que é pra sofrer nunca mais.
tu seja neguinha... que eu percebo na sua carinha... mais sorriso pra mim.
não negue, florzinha... que essa vida é pra sempre pequena... e como você é muito melhor.
então minh'delícia... o que sobra é guardado aqui dentro... e a chave é você existir
toda pra nós.
Por César Lacerda, em 4:26:14 PM |

liberdade
marcelo camelo
perceber aquilo que se tem de bom no viver é um dom.
daqui não,
eu vivo a vida na ilusão.
entre o chão e os ares.
vou sonhando em outros ares, vou...
fingindo ser o que eu já sou.
-fingindo ser o que já sou-
mesmo sem me libertar eu vou...
é Deus, parece que vai ser nós dois até o final!
eu vou ver o jogo se realizar de um lugar seguro.
de que vale ser aqui?
de que vale ser aqui?
onde a vida é de sonhar?
liberdade...
Por César Lacerda, em 5:03:29 PM |

loucos nós os sonhos.
Por César Lacerda, em 6:43:55 PM |

IV
Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...
Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!
E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!
No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."
E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Qual um sonho dantesco as sombras voam!...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!...
Por César Lacerda, em 9:15:45 AM |

Gil engraçado =)
Pop wu wei
Gilberto Gil
O movimento está para o repouso
Assim como o sofrimento está para o gozo
Por isso eu faço tudo pra não fazer nada
Ou então não faço nada pra tudo fazer
Eu gosto de deixar a onda me levar sem nadar
Deixar o barco correr
Mas como o povo diz que Deus teria dito:
"Faz a tua parte que eu te ajudarei"
Melhor considerar o dito por não dito e dizer:
"Tudo que eu puder farei"
Meu bem, eu sei que posso estar contando prosa
E como é perigosa minha afirmação
Sair do movimento bem que pode ser um tormento
Eis outra constatação
O fato é que eu sou muito preguiçoso
Tudo que é repouso me dará prazer
Se Deus achar que eu mereço viver sem fazer nada
Que eu faça por merecer
Por César Lacerda, em 11:18:38 AM |

Novo Lar
Pra Quem Quiser Me Visitar
Guinga e Aldir Blanc
Fiz o meu rancho lá nas nuvens
Onde se pode conversar.
Onde os anjinhos são cor de chopp.
Tomo cuidado só ao debruçar
Vendo o mar, ah...
Toco piano e a virgem canta,
Diz pro Menino: Tio Tom.
Senta à vontade que a colcha santa
Me dá saudade de Leblon.
Sei das manhãs
Que só nascem de tarde
Entre silêncios de alardes,
Vi que o Sol sente inveja das asas do Urubu...
Aos meus amigos que ficaram
Um portador há de levar
Um par de asas
E um pára-quedas;
Pra quem quiser me visitar.
Por César Lacerda, em 4:55:13 PM |
